Dia dos Namorados ou os motivos pelos quais eu devo esquecer a data!
1998 - Eu tinha 14 anos e acabado de ser pedida em namoro pela paixão da minha vida. Ganhei um presente legal até, mas como não tínhamos nosso próprio dinheiro, ficamos namorando embaixo do poste em frente ao meu edifício. Naquela época eu só beijava na boca e as ruas ainda pareciam um local seguro!
1999 – Não lembro com exatidão do ocorrido, mas sei que ganhei um caixa de chocolates do namorado da vez. Ele bem que se esforçou para ser romântico, mas na dúvida se eu gostava de cupuaçu ou castanha, me deu de castanha. Eu odeio castanha!
2000- Dia dos Namorados sem namorado. Uns dias antes eu e o da vez terminamos. Uma semana de choro na sala de aula para todo mundo ver, inclusive ele. Meu presente? Descobri que o ex estava ficando com uma amiga do colégio. Aquela amiga que você sempre tinha ciúme e todo mundo te chamava de neurótica. Bem, acho melhor não me estender sobre o assunto...
2001 - Por dois anos consecutivos fui chutava pelo macho da vez dois dias antes da data. No primeiro fiquei inconsolável e achei melhor nem sair de casa. Sabe o pior? O filho da puta foi na minha casa, levou presente e ainda disse que apesar de nós não namorarmos mais, o presente era uma maneira de mostrar o quanto eu tinha sido importante para ele. OK. (pausa) Eu queria arremessá-lo treze andares abaixo pela janela do quarto de empregada que estrategicamente ficava na direção das grades contra ladrões! Só não fiz isso porque moro no segundo andar e, naquela época, o edifício não tinha grades de segurança
2002 – Dá pra acreditar que depois de tudo isso, eu ainda voltei com ele? Pois é! Mas foi uma data tão marcante, que no ano seguinte, ele achou que deveria repetir! Terminou comigo dois dias antes. OK (pausa numero dois), isso realmente era motivo para cortar os pulsos. Mas não. Chorei muito e decidi abolir a data do meu calendário. Naquela noite sai com amigos. Fomos beber, comer e falar amenidades. Na volta para casa... Chuva. Tem algo mais deprimente do que na noite do Dia dos Namorados voltar para casa a pé na chuva? Tem sim. Ver um casal trepando no carro em plena Doca de Souza Franco! Resultado: fui bater na casa do desgraçado que fatidicamente ficava no caminho de casa. Os detalhes deixo nas entrelinhas...
2003 - No ano seguinte, o Dia dos Namorados virou Dia dos Desquitados. Aproveitamos a oportunidade para encher a cara e lamentar nossas dores de cotovelo. Foi ótimo. Lindo. Perfeito. A não ser pela dor de cabeça do dia seguinte que me fez questão de lembrar que ela só estava ali porque eu não tinha um namorado. AH, também fui parar na casa do ex pelos mesmos motivos do ano anterior.... Mulher de malandro, sabe?
2004 –Uma nova esperança este ano que prometia ser inesquecível. E foi. No caminho do restaurante a ruiva, meu Renault 19 vermelho, ano 1997, comprado de segunda mão, me deixou na mão. O motor superaqueceu e o tanque de óleo arrebentou. Resultado: Namorado empurrando o carro até chegar no posto de gasolina mais próximo. O jeito foi pedir duas cervejas e ficar lá pensando no que fazer. Voltamos para casa. Nunca o resto do almoço pareceu tão intragável.
2005 - Ano seguinte, superado o trauma, tudo certo para a grande noite do dia 12 de junho. Se não fosse pelo fato de eu ter comprado o presente errado pro namorado, que resultou numa leve discussão idiota. Solução: jantar em uma pizzaria acompanhados de uma amiga solteira que detesta tanto o Dia dos Namorados quanto eu. Resultado: namorado puto, nada de trepada e voltar para casa mais cedo.
2006 – Namorado novo. Vida nova. É nada! Depois de passar o dia de mau humor, já temia o pior para a noite dos namorados. Após um exaustivo dia de trabalho, pego o atual no trabalho e constato que para ele a data não fazia diferença. Não ganhei presente, não ganhei flores e nem uma surpresa. Para remediar, ele decidiu que iríamos jantar em um motel. Boa estratégia, se não fosse pelo caminhão que em uma rotatória resolver acertar em cheio a porta do meu carro! OK... (pausa numero três) Bater boca com o caminhoneiro, dar meia voltar e ir para casa.
2007 - Você realmente achou que esse ano ia ser diferente? Eu não! Só que dessa vez, não comprei presente, não escrevi um cartão apaixonado, não fiz reservas nos restaurantes e nem me programei nada. Recebi um sms de manhã e tive um dia cheio de trabalho que resultou em uma enxaqueca infernal. Bom, como o atual não programou nada para a data, resolvi que ir a uma lanchonete freqüentada por adolescentes seria a melhor maneira de evitar os casais apaixonados. E foi. Saí de lá como se nada tivesse acontecido, mas quando chegamos em casa a Discovery me lembrou mostrando um super documentário sobre o comportamento sexual do reino animal.
Ainda preciso dizer porque meu Dia dos Namorados é sempre ruim? Mas sabe, depois de escrever tudo isso e lembrar em ordem cronológica de todos os acontecimentos, pelo menos cheguei a conclusão de que terei muita história para contar na terapia dessa semana!
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